Vi o carro do agiota parado na frente da casa da minha mãe
Devia R$ 12 mil pro Sandro. Ele é agiota do meu bairro, Bangu no Rio. Tem fama, quem devia sofria.
Eu me escondia na casa da minha ex-namorada, meses. Trocava carro, cortava telefone. Um dia liguei pra minha mãe do orelhão da praça e ela falou baixinho: "tem um homem parado do outro lado da rua olhando pra casa desde ontem". Descreveu o carro. Era o Sandro.
Não dormi aquela noite. No dia seguinte, seis da manhã, fui pra casa da minha mãe. Ele já não tava lá. Contei tudo pra ela. Ela sentou, ouviu, chorou pouco, disse: "vamos resolver isso hoje".
Ela pegou o carro que era do meu pai (que morreu em 2020), foi comigo na casa do Sandro, pagou tudo em cima da hora, R$ 12 mil da poupança dela que era pra reformar a casa. Ela negociou reduzir os juros e o Sandro aceitou porque ela era senhora e ele tinha mãe também. Tem essas regras.
Faz três anos. Devo pra minha mãe até 2035. Parei de jogar naquele mesmo dia. A ideia dele estar perto dela me quebrou. Se você joga tem mãe idosa em casa e agiota atrás, para hoje. Não dá pra falar mais claro que isso.
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