Recomeço

O dia que perdi o carro do meu pai

Anônimo1 leituras

Tinha 29 anos. Meu pai me emprestou o Fiat Uno dele, 2018, pra eu ajudar minha irmã que faz bolo de casamento. Ela ia fazer três entregas num sábado em Uberlândia e precisava de motorista.

Eu tinha R$ 2 mil de dívida de bets naquele momento. O agiota que era um cara do bairro tinha marcado pra cobrar naquele mesmo sábado. Eu entrei em pânico. Vendi o carro do meu pai num revendedor que aceitava sem documento na hora, por R$ 15 mil, ganhei R$ 8 mil líquido depois de pagar a dívida de agiota e sobrou pra apostar.

Fiz as três entregas de bolo num Uber alugado. Menti pra minha irmã que tinha batido o carro. Depois menti pro meu pai que o carro tinha sido roubado no estacionamento.

Perdi tudo em três dias no tigrinho. Meu pai processou o seguro do carro. Recebeu R$ 12 mil. Comprou outro carro usado.

Um ano depois um vizinho reconheceu o Uno rodando na cidade e reconheceu a placa. Meu pai foi atrás. Descobriu que eu tinha vendido. Não gritou. Ficou dois anos sem falar comigo.

Faz três anos disso. Eu parei há 10 meses. Meu pai voltou a falar comigo há três meses. Ainda não confia mas fala. É o que eu tenho.


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