Meu marido jogava. Eu fiquei. Um ano depois eu que peço ajuda.
Meu marido era o apostador. Ele parou há um ano e três meses, faz JA, faz terapia, mudou. Ninguém aqui escreve sobre isso: e depois da parada, a família também precisa se refazer.
Eu virei a controladora. Eu vejo todo extrato. Eu que tenho a senha do cartão. Eu que decido o que a gente compra e o que não. Ele aceita, foi combinação. Mas isso me esgotou.
Não sou mais esposa, sou fiscal. Não tenho mais desejo por ele porque quando eu olho pra ele vejo o passivo financeiro que a gente carrega. Isso é feio de dizer. É verdade.
Faço terapia agora sozinha. A terapeuta chama isso de codependência residual. Ela disse que quem vive com apostador em recuperação precisa fazer o próprio processo, senão desmorona depois que o outro fica bem.
Escrevo aqui pra mulher que tá na fase inicial do controle. Cuidado com você mesma. É uma armadilha nova entrar. Estou saindo dela agora, devagar. Já entreguei o cartão de crédito de volta pra ele mês passado, ele deu conta.
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